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Cultura de banho em Nova Iorque: o mapa das bathhouses em 2026

Onde ir

A cidade que quase ficou sem casa de banho

Nova Iorque já teve muitas bathhouses. A maior parte fechou em 1985 e 1986, depois que o estado passou a tratar esses espaços como risco sanitário na crise da AIDS. Sobreviveu, no porão de um cortiço da East 10th Street, o Russian & Turkish Baths, aberto em 1892. Em entrevista ao Culture of Bathe-ing, Dmitry Shapiro, da segunda geração da família, resume o motivo: a casa nunca foi um sex club. Era um schvitz, um lugar de suor, frio e borscht.

Quatro décadas depois, a mesma cidade virou o centro da nova bathing culture americana. Não porque o calor e o gelo tenham sido inventados agora. Porque o formato mudou: a bathhouse deixou de ser só o porão imigrante e passou a ocupar fábrica de refrigerante, galpão de Brooklyn, clube de bairro e sessão guiada com breathwork.

Robert Hammond, presidente da Therme Group nos EUA e coautor do guia Bathe like a local no Culture of Bathe-ing, compara o momento ao café nos anos 1980 ou ao ioga nos anos 1990. A tese dele é clara: ainda é o começo, não o pico. Minnesota e São Francisco tiveram mais casas por mais tempo. A experimentação, o desenho e o lado social da nova onda estão concentrados em Nova Iorque.

Este texto não é um ranking e não substitui uma visita. É um mapa para decidir que tipo de casa você quer, com o que cada uma oferece e o que confirmar no site antes de reservar. Preços, horários e regras mudam rápido. O diretório com endereço e ficha de cada casa está no mapa de Nova Iorque.

A cadeia nova-iorquina se chama Bathhouse. Não tem relação com este site, o guia bathhouse.com.br da Desterro Company.

Três formatos ao mesmo tempo

O que confunde quem chega de fora é que a cidade opera três gerações no mesmo mapa.

FormatoO que éExemplos
Schvitz históricoCalor alto, frio extremo, pouca cena, walk-inRussian & Turkish Baths
Bathhouse social em escalaCircuito de contraste, aufguss, day pass, várias unidadesBathhouse, Othership
Clube de bairroMembership, frequência, escala menor, rotinaAkari, Lore, Elahni

A diferença prática é a decisão de uso. Uma casa serve para ir uma vez na viagem. Outra serve para voltar duas vezes por semana. Outra ainda serve para uma sessão guiada de uma hora, sem circular sozinho entre equipamentos.

Em fevereiro de 2026, o próprio Culture of Bathe-ing testou a tese em público: um festival de sauna no Domino Park, na orla de Williamsburg, com dezenas de saunas temporárias, aufguss, breathwork e sessões das casas da cidade. Não era um spa. Era um argumento: banho comunitário cabe na rua, no inverno, em Nova Iorque.

1. Russian & Turkish Baths: o schvitz que restou

O Russian & Turkish Baths fica no 268 East 10th Street, no East Village. Abriu em 1892. Não pede reserva para o uso da casa. A entrada avulsa no site oficial custa US$ 65.

A casa é o contrário da nova onda. Pouca luz, pouca marca, muito calor. No começo havia só a Russian Room e a Turkish Room. A sauna de sequoia e as salas a vapor vieram depois, ao longo de décadas. A Russian Room é o núcleo: uma fornalha com cerca de 10 toneladas de pedra, aquecida de madrugada, que segura o calor o dia inteiro. Shapiro descreve o ritual dele como 45 minutos de calor e frio com pouco descanso: Russian Room, imersão, Turkish Room, sauna, vapor, e comida no fim.

Há um detalhe operacional que o visitante precisa saber. A casa de Nova Iorque tem dois donos que se revezam por semana, David Shapiro e Boris Tuberman. Cartões comprados em um site valem na semana do outro dono. Horários mistos, só homens e só mulheres também mudam. Confira a semana e o turno no site antes de ir.

Bom para: quem quer a experiência nova-iorquina antiga, sem cena de wellness.

Atenção: é walk-in, o calor é alto de verdade e o fim do banho pede descanso e eletrólitos. Não saia vestindo a roupa ainda suando.

2. Bathhouse: o circuito social em três endereços

A Bathhouse é a operação que transformou terapia de contraste em produto urbano de escala. Travis Talmadge e Jason Goodman abriram a primeira unidade em 2019, numa antiga fábrica de refrigerante em Williamsburg. Vieram Flatiron e, em maio de 2026, Atlantic Avenue, no Downtown Brooklyn.

UnidadeEndereçoDay pass no site
Williamsburg103 North 10th Street, Brooklyna partir de US$ 39
Flatiron14 West 22nd Street, Manhattana partir de US$ 29
Atlantic Avenue540 Atlantic Avenue, Brooklyna partir de US$ 29

A unidade da Atlantic Avenue tem cerca de 32 mil pés quadrados (cerca de 3 mil m²), com área interna e um quintal. O circuito reúne sauna de evento, banya, infravermelho, vapor, piscinas quente, neutra e fria. A casa posiciona a sauna de evento como palco de aufguss: o mestre usa óleos, música e toalha para espalhar o calor. Em maio de 2026, a unidade sediou o Aufguss USA Nationals.

O modelo é o oposto do schvitz de 1892. Há day pass, tratamentos, scrubs e uma operação pensada para o visitante que reserva. Williamsburg ainda tem a piscina externa que aparece em quase toda foto da marca. Flatiron é a versão mais escura e teatral. Atlantic Avenue é a aposta de escala e de preço de entrada mais baixo.

Bom para: primeira visita a uma bathhouse contemporânea, aufguss e um circuito completo de calor e frio.

Atenção: confirme horário, tipo de sessão e se a unidade exige maiô. A casa de Nova Iorque não é este site.

3. Othership: sauna como sessão, não como circuito

A Othership nasceu em Toronto, no quintal e na garagem de Robbie e Emily Bent, e chegou a Nova Iorque com outra tese: a sauna funciona melhor quando alguém conduz o grupo. Há duas unidades na cidade, Flatiron (23 West 20th Street) e Williamsburg (25 Kent Avenue, perto do Domino Park). Uma terceira, no Upper East Side, está prevista para 2027.

O formato não é um circuito livre de piscinas. É uma sessão: sauna de performance, ice baths entre 0 e 4 °C, breathwork e um lounge para ficar depois. Há free flow (você circula no próprio ritmo), aulas guiadas e socials com música. Na entrevista ao Culture of Bathe-ing, os fundadores descrevem o espaço como lugar de encontro: reunião, encontro, até uma espécie de culto laico. A luz das lâmpadas é pintada à mão para chegar a 1800 kelvin, a temperatura da vela.

Preços mudam conforme o tipo de sessão, o horário e se você compra avulso, pacote ou membership. O intro de duas semanas aparece no site por US$ 135, com uma sessão por dia. Confirme o valor da sessão avulsa no momento da reserva.

Bom para: quem quer ser conduzido, quem vai em grupo e quem busca uma alternativa social ao bar.

Atenção: não espere um hammam nem um percurso de várias piscinas. A casa vende calor, gelo e ritual.

4. Akari: sauna de bairro, só para membro

A Akari se descreve como Japanese neighborhood sauna. O nome significa luz. Shayna Olsan e Luke Carstens abriram a primeira casa em Williamsburg, no fim de 2023, e depois Greenpoint. O site lista três endereços:

  • Williamsburg: 202 Grand Street
  • Greenpoint: 149 Franklin Street
  • Lower East Side: 60 Orchard Street

Não há day pass. A casa limita o número de membros para a sauna não lotar, cobra membership mensal (há faixa diurna e faixa completa, com opção all-access) e coloca o visitante avulso só como convidado de membro, com taxa. Não pede reserva para o uso do espaço. Tira o sapato na entrada, passa pelo lounge de chá e entra no ciclo quente-frio-descanso.

Greenpoint é a unidade mais estreita e mais escura, segundo a cobertura de Dezeen. Williamsburg é a casa original, com duas saunas e imersões pequenas. O tom é o oposto da Bathhouse: pouca cena, muita madeira, escala de bairro.

Bom para: quem mora perto e quer rotina, não um programa de viagem.

Atenção: sem membership ou convite, você não entra. Há fila de espera.

5. Lore Bathing Club: o clube de 75 minutos

O Lore abriu em janeiro de 2026 no 676 Broadway, no NoHo. São cerca de 6.200 pés quadrados (cerca de 576 m²) em dois andares, com sauna finlandesa seca, sauna infravermelha, piscina fria e bancos aquecidos no modo hammam. A sessão oficial dura 75 minutos. Celular fica de fora.

A tese da casa é frequência. James O’Reilly e Adam Elzer, os cofundadores, vendem membership para quem volta, não para quem passa uma vez. Há sessão avulsa e pacotes, mas o produto é o clube de bairro: um substituto do café, do bar ou da aula de ginástica. O Culture of Bathe-ing destacou justamente isso: o modelo muda a conta, porque o valor aparece na terceira visita, não na primeira.

Há programação de aufguss, imersão guiada e aromaterapia dentro da sauna. Maiô é obrigatório. Toalha a casa fornece. Horários e preços de membership mudam; confira o site.

Bom para: quem está alguns dias no NoHo e quer uma casa contemporânea, limpa e com piscina fria de verdade.

Atenção: a sessão é curta. Quem quer circular sem relógio pode preferir a Bathhouse.

6. Elahni: speakeasy de quatro pessoas

A Elahni fica no segundo andar do 12 West 27th Street, no NoMad. A entrada é discreta de propósito. A casa se chama de wellness speakeasy: sauna finlandesa e ice bath para no máximo quatro pessoas, com anfitrião conduzindo as rodadas, a respiração e a pausa.

Não é um circuito. É uma hora guiada. Hidratação no meio, tônico no fim, reserva obrigatória. O formato serve a dois públicos que as casas grandes atendem mal: quem nunca fez contraste e tem receio, e quem já fez demais e quer silêncio.

Bom para: primeira vez em sauna e gelo, ou um grupo pequeno.

Atenção: não dá para chegar sem reserva. A escala é de estúdio, não de bathhouse.

O que mais abriu em 2026

O mapa do Culture of Bathe-ing, desenhado por Victor Jeffreys II no fim de 2025, já previa uma segunda onda. Parte dela já está na rua.

  • SAINT (242 West 29th Street, Chelsea): quatro suítes privadas de sauna de cedro, ice bath e ducha. O oposto da casa social. Sessão a partir de US$ 90.
  • The Altar (122 Fifth Avenue, Flatiron): sauna para cerca de 50 pessoas, imersão fria e, no mesmo endereço, protocolos de longevity (IV, oxigênio hiperbárico, luz vermelha). Soft launch em abril de 2026.
  • Schwet (78 Franklin Street, Tribeca): banya, piscina mineral, imersão a cerca de 9 °C, scrub japonês e um bar. O Culture of Bathe-ing descreveu a casa como clube tanto quanto bathhouse.
  • Reunion Baths (Brooklyn) e Sund (banho nórdico ao ar livre, previsto para 2027) ainda estavam no pipeline quando este texto foi escrito.

Se a pergunta for “já passou do ponto?”, Hammond responde que não. A oferta cresceu. O formato ainda está se separando: casa social, clube de rotina, suíte privada, festival na rua.

Qual escolher

  • Para a Nova Iorque antiga: Russian & Turkish Baths.
  • Para um circuito completo na primeira visita: Bathhouse (Williamsburg se quiser a piscina externa; Atlantic Avenue se quiser escala e aufguss).
  • Para uma sessão guiada em grupo: Othership.
  • Para rotina de bairro, se você conseguir entrar: Akari.
  • Para 75 minutos contemporâneos no NoHo: Lore.
  • Para um grupo de até quatro, com alguém conduzindo: Elahni.
  • Para silêncio absoluto: SAINT.

Leve o que Nova Iorque está testando de fato. Não é um estilo único de sauna. É a pergunta de para quem a casa existe: o visitante de uma vez, o membro da semana, o grupo que quer ser guiado ou a pessoa que não quer ver ninguém. Essa escolha muda o endereço.

A cobertura mais contínua dessa cena, em inglês, está no Culture of Bathe-ing. Os textos usados aqui são o mapa das novas casas, a entrevista com o Russian & Turkish Baths, a origem da Othership e a reportagem sobre aufguss nos EUA.

Quer ir às casas? Abra o mapa de Nova Iorque com endereço, preço e ficha. Para outro roteiro, as bathhouses que visitamos na Austrália e as publicações da categoria Onde ir.